segunda-feira, 25 de abril de 2011

25 de Abril Sempre!

Há 37 anos, Portugal mudou completamente. Depois de 40 anos de uma ditadura cinzenta, conservadora e retrógrada, a luz da democracia brilhou em Portugal. Sim, nem tudo foi fácil e, infelizmente, o período que se seguiu, o PREC, foi mais uma página triste na nossa História. Contudo, felizmente houve o 25 de Novembro, e aí, Portugal pôde seguir o caminho da estabilidade democrática.

Não podemos deixar o 25 de Abril transformar-se num mero conjunto de rituais - tranquilizamos a nossa consciência se andarmos com um cravo ou ouvirmos a 'Grândola, Vila Morena' e até a cantarmos baixinho. Mas esta efeméride não se deve reduzir a uma mera efeméride, mas deve servir como um lembrete, e não se tornar noutro 5 de Outubro, hoje infelizmente esvaziado de entusiasmo e de significado...

Deve lembrar-nos de que nunca mais toleraremos quem nos silencie

Deve lembrar-nos de que nunca mais toleraremos quem nos lave o cérebro

Deve lembrar-nos de que, em democracia, não há caminhos inevitáveis, não há doutrinas sagradas

Deve lembrar-nos de que o poder reside em cada um de nós

Deve lembrar-nos de que não somos brinquedos na mão do Estado


Sendo que foi o 25 de Abril que nos deu a democracia, não devemos dar um cariz demasiado ideológico à data, pois ela trouxe-nos o pluralismo. O 25 de Abril não é uma 'revolução de esquerda', é uma revolução de todos os amantes da liberdade, sejam de esquerda ou direita, e, acima de tudo, independentemente de ideologia, dos amantes do pluralismo.

E nunca, nunca secundarizar as principais conquistas de Abril - liberdade, democracia, livre expressão, fim de uma guerra estúpida, auto-determinação dos povos... Não podemos ter a arrogância de que Abril e PREC se confundem, pois eles não se confundem - o 25 de Abril foi feito por pessoas de todo o espectro político, o PREC não...

Que, neste momento difícil, não secundarizemos as verdadeiras conquistas da revolução dos cravos, e que não as troquemos de bom grado, nunca.

25 de Abril sempre, ditadura nunca mais!

2 comentários:

  1. Deixa-me apenas citar este mesmo blogue a 3 de Outubro do ano passado:

    "Bottomline: especialmente em Portugal, quando um grupo ganha força suficiente para se efectivamente opor ao Estado, o povo vai atrás do mais forte e finge que sempre pensou como eles. É curioso como no dia 24 de Abril de 1974 Portugal era um país profundamente conservador e 24 horas depois, era o povo mais revolucionário da Europa. Isto tudo para demonstrar como, na maior parte das revoluções, elas são feitas por uma elite qualquer e a população segue o vencedor. Efeitos da propaganda de cada regime, talvez, mas é essa a verdade. Mas estou-me a desviar."

    O que é que se passou entretanto? Tiveste aulas de história?

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  2. A diferença entre o 25 de Abril e as outras talvez resida precisamente nisso. Quando escrevi isso, se calhar fi-lo um pouco shortsighted, mas continuo a achar que todas as revoluções que tivemos não foram de pura 'iniciativa popular': neste post não disse que foi o povo que decidiu ir para a rua e derrubar o regime, todos sabemos que não foi assim. A diferença do 25 de Abril foi porque, talvez, e aí talvez eu tenha feito um erro de julgamento no meu post anterior - a adesão popular posterior ao 25 de Abril foi indubitavelmente superior ao 28 de Maio, ao 5 de Outubro e por aí fora... É só ver as imagens.

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