sábado, 11 de dezembro de 2010

Música: Neue Deutsche Härte


As pessoas que estão comigo frequentemente já hão de ter reparado como eu agora tenho a mania (para muitas irritante) de estar sempre a ouvir Rock alemão nos últimos tempos. Sim é verdade, há coisas de muita qualidade feitas na Alemanha, e hoje falo-vos em especial de uma cena de Rock, a Neue Deutsche Härte (Nova “Dureza” Alemã). O nome suscita algumas interpretações mais duvidosas, mas é dureza em termos de música. É um estilo que surgiu na Alemanha nos anos 90, sendo Ooomph, banda de Wolfsburg, um dos pioneiros. Bandas como os mais conhecidos Rammstein ou Megaherz são os seus outros nomes mais sonantes.



Este estilo é um estilo muito germânico, e porquê? Primeiro, porque todas as bandas dessa cena musical cantam em alemão, salvo uma música aqui ou ali; segundo porque aproveita o potencial que a língua alemã tem para vozes profundas, masculinas e agressivas. É um estilo “crossover” que incorpora elementos de Heavy Metal, Hard Rock com elementos Electrónicos e Techno. Assim, ao mesmo tempo que podem citar Metallica ou Black Sabbath como suas influências, também citarão influências da cena electrónica, especialmente os também alemães Kraftwerk. Sai assim um género que junta sons de rock mais pesado com uma clara influência electrónica, tendo também sempre vocalistas poderosos, com vozes agressivas e profundas. Os riffs e o trabalho de guitarra e baixo não são tão complexos como de bandas de Metal mais conhecidas, dando mais ênfase à precisão rítmica do que ao virtuosismo e complexidade de solos e harmonias. Por outro lado, as baterias vão alternando entre as baterias que encontraríamos normalmente numa música de Hard Rock ou Metal e batidas mais electrónicas. Mas a cereja no topo do bolo é o trabalho de teclados ou de sampling, que dá o toque electrónico à música. Posso dizer, com toda a certeza que o teclista dos Rammstein, Christian Lorenz é o seu músico mais bem treinado e dotado enquanto tal. 

Quanto aos temas explorados nas letras, nota-se uma influência da capacidade de crítica (não só política, como social) do Punk Rock, mas com um toque de mais profundidade. Temas vulgarmente explorados são, por exemplo, a sexualidade (na sua manifestação mais “estranha”, como BDSM, violência e troca de papéis), a religião, casos de crimes ou práticas macabras, também incluíndo, por estranho que pareça, muito o tema do amor e das relações amorosas, e também política. Basicamente, muitas destas bandas tentam expor a natureza menos positiva que o humano tem e expor a realidade em termos exagerados, para chamar a atenção para temas que passam mais despercebidos. Seja como for, liricamente, estas bandas apresentam-se como cultos, bem informados e interessados também em temas filosóficos.

Exemplos: Ich tu dir weh, Zwitter e Mann gegen Mann dos Rammstein exploram a homossexualidade, o sado-masoquismo e a transsexualidade; Gott ist ein Popstar dos Oomph! causou grande polémica na Alemanha pela sua crítica às religiões massificadas; Wiener Blut e Mein Teil dos Rammstein falam do Caso Fritlz (o pai que manteve a filha fechada na cave durante anos) e o caso dos canibais alemães; 5.März dos Megaherz, Ohne Dich, Wo bist Du? e Roter Sand dos Rammstein são músicas comuns de amor ou perda amorosa; Sandmann e Revolution dos Oomph! e Links 2 3 4 dos Rammstein são statements políticos.
Com os seus espéctaculos elaborados, a sua brutalidade, a sua precisão rítimica e um pouco de preconceito, muitas dessas bandas já foram vistas como Nazis, mas uma análise pormenorizada das suas letras faz perceber que não partilham de todo essa ideologia, sendo a música Links 2 3 4 dos Rammstein uma resposta a essas acusações.

Hoje em dia, as duas bandas com mais projecção internacional são os Rammstein, seguidos dos Oomph! Os primeiros mantiveram o seu estilo característico, e aparecem regularmente em festivais e nos media. Os Oomph! afastaram-se um pouco do crossover electrónico-metal, e adoptaram um estilo mais Hard Rock, sem deitar fora as suas raízes, visto serem eles os pioneiros da cena. Apesar de menos conhecidos no estrangeiro, têm um sucesso tremendo na Alemanha, Áustria e Suíça. Outros nomes, além dos Megaherz, que vale a pena referir são: os alemães Rifenstahl, Die Krupps, Fleischmann e Weissglut, os austríacos L’Âme Imortalle, os suíços Fanoe e até os americanos Hanzel und Gretyl e os eslovenos Laibach.

Enfim, para quem gosta de Hard Rock e Metal, e até mesmo para quem não se queira aventurar nesses campos, recomendo fortemente esta cena musical, em especial os Oomph!, os Rammstein e os Megaherz. 

Como outro ponto forte desta cena são os seus elaborados vídeoclips e os seus enérgicos concertos, deixo aqui alguns da minha preferência:

Sandmann dos Oomph

Augen Auf! (Olhos Abertos!) dos Oomph!

Freiflug (Queda Livre) dos Megaherz

 Seemann (Marinheiro) dos Rammstein

Ohne Dich (Sem Ti) dos Rammstein

Sehnsucht (Saudade) dos Rammstein