segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Dia Cão


Tive um dia especialmente mau, por isso deu-me para isto. Não tenho a pretensão que isto seja considerado um poema, não. Mas às vezes dá-me para escrever textos que, por acaso, têm uma rima ou outra e são organizados em quadras.


Há dias em que uma pessoa fica assim,
Mais sentimental, mais frágil,
Há dias que simplesmente levam a melhor,
A mente deixa de ser ágil,
E duvidamos de tudo o que é certo, deixando tudo em aberto,

Dou um último bafo num cigarro, sabendo que não devia,
Sei bem que não devia, mas até a morte lente sabe bem neste dia,

Mas quando se começa o dia com a cabeça já atordoada e confusa,
A receita está pronta para tudo o resto correr mal,
Hoje nada me deixou ganhar, só me atirou ao chão,
Ele quando quer, sabe ser cabrão,
Este dia cão,                                                                                       

Hoje levaste a melhor, dia,
Fizeste-me trabalhar, trabalhar que nem um cão,
Para depois me atirares ao chão,
E pores em questão tudo o que eu queria, fazia e pretendia,
Afundado nos livros, nas palavras frias, senti-me perdido,
E quando a página parecia a última, não era,
Nunca era a última, num mar interminável de caracteres,
Afundado nas expectativas criadas e perdidas,
Não só em mim, mas nos outros,
As pessoas são estranhas, os livros são estranhos, os compromissos são estranhos
E quando todos me atacam em bloco, nem parece que acompanho,
O que devo acompanhar, o que devia ser, o que devia fazer,

Mas se calhar exijo demasiado de mim,

Ou se calhar são os outros que exigem demasiado de mim,
As pessoas, os livros, os compromissos, os horários, os professores, os amigos,
E com isso me espalho ao comprido,
Porque eu exijo,
E tu exiges, e ele exige, e nós exigimos e eles exigem,

Pronto dia, hoje levaste a melhor,
Não te consegui enfrentar como de costume,
E deitaste-me abaixo, fizeste-me sentir um nada, atolado num mar de artigos, num ar de doutrina, num mar de papel, num mar de tinta
Voltamos-nos a encontrar amanhã,

Virei melhor preparado, e caso não tenhas reparado,
Raramente levas a melhor,

Amanhã não levarás a melhor,
Amanhã não te dou tréguas!
                                                                                   


Ein geordneter Geist vermag alle Probleme zu lösen - Uma mente ordenada resolve todos os problemas

sábado, 27 de novembro de 2010

O Negro Presente da Faculdade de Direito de Lisboa IV: Pequenas Considerações Sobre Democracia, e Tal


Não me estenderei muito neste post mas, infelizmente, não posso deixar de falar de mais um evento sintomático da decadência da nossa Faculdade...

Foi marcada RGA Ordinária para dia 3 de Dezembro... ao 12:30. Sendo que dia 3 de Dezembro é uma sexta-feira. Qual a ordem de trabalhos? Bem, estão lá pontos pouco importantes, como a apresentação, discussão e votação do Plano de Actividades da Direcção, do Orçamento e uma deliberação sobre adjudicação às contas da AAFDL.

Enfim, a actual Direcção/Mesa desilude-me mais. Não ponho em causa que não têm feito um bom trabalho – pelo que vi, parece-me que sim. Mas fazer bom trabalho não basta. O Hitler também construiu auto-estradas, o Salazar equilibrou as finanças, o Estaline industrializou um país feudal, o Isaltino, a Fátima Felgueiras e o Major também, como dizem os seus apoiantes, “têm obra feita”, como se fosse razão para desculpar qualquer outra merda que fizessem.
E no nosso caso, as crescentes atitudes anti-democráticas vindas do lado desse movimento de refundadores, com o qual, sinceramente, já desgostei menos. Primeiro temos a fantástica interpretação que foi feita das regras eleitorais, por base no costume, que evitou que houvesse pluralismo nas eleições para o pedagógico no 2º ano. Não é que eu gostasse particularmente da lista que se estava a formar, mas matá-la e sacrificar o pluralismo é simplesmente medo por parte de quem está no “poder”. 

Quanto à nossa RGAzita – uma RGA que vai impedir imensos alunos do 2º e do 3º ano (que, por sinal, são anos mais “activos” nestas andanças, nem por que seja porque alguns deles ainda não conseguiram passar para o 4º), e se calhar permite a convocação de um pequeno regimento de caloiros simpatizantes. Mas pronto, não é só o facto de evitar com que grande parte do 2º e 3º anos participem. É a uma sexta-feira, muito boa gente que não tem a felicidade de viver na maravilhosa capital terá que voltar às terras nessa tarde. E, a cereja no topo do bolo, no meio da época de testes, mas vá, isso seria um pouco inevitável.

Concluindo: ao convocarem a RGA para o 12:30 de uma sexta-feira conseguiram evitar que um grande número de alunos pudesse nela participar, ou pelo menos vê-la na sua totalidade. Ou porque têm aulas, ou porque vão para fora, ou porque têm que estudar (insiro-me no primeiro e no terceiro caso). Ouvi ontem, alguém da Direcção (cujo nome não revelarei) a justificar, dizendo que “ah, é para não ficarmos até às 4 da manhã nisto”. Ai, que bom. Eles só pensam no nosso bem, querem que não nos deitemos tarde. Mas pronto, se calhar aqui deveria invocar também o costume para dizer que a RGA não pode ser a esta hora. E é este o Estado a que chegámos – a Lista R continua a dar facadas sucessivas na democracia na nossa Faculdade. Veremos até quando, que estas coisas dos consensos tendem a ser frágeis...

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A CGTP é uma fábrica de desemprego

http://aeiou.expresso.pt/a-cgtp-e-uma-fabrica-de-desemprego=f617326

Recomendo fortemente este artigo. Descobri-o num blog que costume seguir, Os Alunos do Liberalismo, cujo link se encontra à vossa direita, e resume muito bem pensamentos soltos que eu fui tendo ontem sobre esta greve.

Bom dia a todos.

sábado, 20 de novembro de 2010

Paz Sim, NATO Sim, Estupidez Não

Os últimos dias têm sido dominados, desde a comunicação social até à conversa de café por um único tema – a NATO. Sim, para grande deleite dos políticos portugueses, cujo complexo de inferioridade se mostra quando recebem grandes líderes (o Sócrates e o Cavaco estavam com a franga aos saltos), tivemos a maior concentração de poder por metro quadrado de sempre. Ele é Obama, é Medvedev, é Rasmussen, é Merkel, é Cameron, é Ban Ki-Moon, e muitos outros.

E claro que surge sempre aquilo que surge associado à NATO – as campanhas anti-NATO. “Paz sim, NATO não”, “NATO game over”, contam-se entre as várias iniciativas. Quem compõe estas organizações? Gente pacifista, porque seja lá quem não for contra a NATO é imperialista e belicista, claramente. Aliás, na visão de muitas destas pessoas (não generalizando, claro), as cimeiras da NATO são eventos em que a elite capitalista-financeira mundial se reúne para discutir melhores métodos de submeter o 3º Mundo ao seu jugo de ferro feito de notas de dólar.

Mas saíndo de sátiras, venho aqui expor a minha visão pessoal sobre a NATO. Apoio a NATO e a sua existência, mas não me considero de todo belicista. Como a maior parte das pessoas, penso que a guerra é um fenómeno negativo e condeno-a. No entanto, sou realista e percebo que a guerra é um facto que sempre fez parte das actividades humanas, e está longe de ser algo do passado. Tal como as pessoas se zangam e andam à pancada, também os Estados.

A NATO foi criada no pós-Guerra como reacção a um comportamento errático e preocupante por parte de Estaline. O ditador soviético havia prometido eleições livres nos países “libertados” pelo Exército Vermelho, mas faltou com essa promessa, apressando-se a criar estados-marionetas, eles próprios moldados à imagem soviética. Os aliados ocidentais tinham medo que a URSS pudesse ter mais ambições territoriais para cá da Cortina de Ferro, e por isso, foi criada a NATO, tudo devido a Estaline e os seus comportamentos menos cooperativos e divergentes com a aparente parceria durante a Segunda Guerra. Como dizia um general inglês na altura: “NATO was created to keep the Americans in, the Russians out and the Germans down.” Em grande parte é verdade. E com isso se concretizou algo que Churchill já profetizara – o mundo bipolar, Estados Unidos contra URSS, Ocidente contra Oriente, democracias liberais contra democracias “populares”, duas ideologias, duas mundividências, dois mundos. E durante a Guerra Fria esses objectivos mantiveram-se, sem prejuízo do levantamento progressivo das restrições à Alemanha (de frizar que o Bundeswehr, o exército alemão, é dos mais modernos e mais bem equipados da Europa).

A Guerra Fria acabou, o Pacto de Varsóvia dissolveu-se. Podia-se pensar: bem, mas para quê que serve a NATO agora? Rapidamente a NATO teve um papel essencial na Guerra nos Balcãs, impedindo genocídios e guerra-conquista por parte de uma Sérvia ressabiada.

E hoje em dia, sem comunismo, com a Europa democratizada e pacificada. Para que serve a NATO? A NATO é essencialmente uma cooperação entre o Ocidente. É uma garantia e uma protecção. É uma garantia na medida em que, apesar de muitas clivagens que possam existir, mantém os países Ocidentais (salvo umas excepções, só é composta por países ocidentais) em cooperação. Há 60 anos que não vemos guerras na Europa. Será só por causa da União Europeia? Não só, mas também. A NATO e a UE tiveram um papel fundamental em transformar o continente mais sangrento da História numa área fundamentalmente pacífica.
E uma protecção. Especialmente para países como nós. Enquanto que a União Europeia não tiver uma política diplomática e militar concertada, o que vai demorar muitos muitos anos, a NATO serve como fórum de defesa comum da Europa. É que o Reino Unido, a França, os EUA e a Alemanha, por exemplo, conseguem-se defender sozinhos. Nós não. Precisamos destes parceiros. Não é submissão, não é vergarmo-nos perante interesses estrangeiros – é uma lógica de reciprocidade. Se esses grandes países não tivessem nada a ganhar com a NATO, não a integrariam.

A NATO é a forma dos países Ocidentais se manterem juntos e relativamente unidos, evitando tanto tensões internas que potencialmente seriam perigosas, como dissuadindo possíveis inimigos. Aliás, mais do que nunca, a NATO precisa de existir.

É que antigamente, o “inimigo” era um e estava lá bem visível. Uma mancha vermelha enorme no mapa. Mas hoje em dia os “inimigos” do Ocidente não são um país, nem um partido, nem estão todos ali à vista. São pessoas de vários países, que não estão sempre no mesmo sítio e aproveitam a globalização, apesar de serem contra ela, para atacar e chacinar os seus supostos inimigos. Não foi o Ocidente que rotulou o Extremismo Islâmico como inimigo. Foi o Extremismo Islâmico que rotulou o Ocidente, a América, a Europa, como inimigos – são eles que desprezam mais a nossa cultura, o nosso estilo de vida, a nossa política, mais do que qualquer comunista ou nazi alguma vez faria. Felizmente, só uma franja do Islão é extremista, mas o Ocidente não pode ficar parado enquanto é atacado. Além disso, no contexto internacional, não podem ser os países individualmente a combater essas ameaças. As ameaças à segurança são globais, e a ONU pode ser muito eficaz a combater muitas ameaças, menos as de segurança.  

Sempre condenei a Guerra do Iraque, mas não a do Afeganistão. A intervenção nesse país foi necessária, como último recurso, porque não se podia tolerar um país que alberga uma organização que mata civis aos milhares. E claro que a NATO matou também civis aos milhares, mas quem deu o primeiro grande golpe foi a Al-Qaeda, apoiada e escondida pelo Governo Taliban. E aqui não havia dúvidas disso – enquanto que no Iraque era discutível a existência ou não de WMD’s, no Afeganistão sabia-se que estava a Al-Qaeda. E com esta invasão, minaram-se possíveis atentados em grande escala nos EUA e na Europa. E não pode deixar de ser positiva a queda de um dos governos mais opressivos do Mundo, que tratava as mulheres, legalmente, abaixo de cão, que executava pessoas aos milhares por crimes morais e espirituais, numa escala sem precedentes e muito extremada dentro da religião conservadora que é o Islão. Claro que os EUA são hipócritas em colaborar profundamente com a Arábia Saudita, regime um pouco menos extremista que os talibans, mas também muito rigoroso e opressivo – uma monarquia teocrática absolutista, se a quisermos rotular. Mas pronto, muitas vezes os interesses económicos e geopolíticos falam mais alto.

Felizmente, e isso viu-se na cimeira de hoje, que a NATO assume cada vez mais uma postura de cooperação e concertação. É um marco histórico, de facto, o acordo entre a NATO e a Rússia. Há quem diga que a Guerra Fria foi finalmente metida na gaveta. A Rússia já não é um inimigo – é um país cada vez mais semelhante com os países Ocidentais, apesar do caos económico e da corrupção profunda, já para não falar de um défice democrático. Tudo o que se teve de pagar por 70 anos de comunismo.

O Mundo é cada vez mais mutipolar – os EUA já não são a hiperpotência que foram na década de 90. Hoje há potências emergentes, especialmente a nível económico, como a China, a Índia, a Rússia, o Brasil, e vários pólos diplomáticos se vão criando. Se bem que a Europa tem de se progressivamente afirmar, não podemos negar que o país com o qual temos mais afinidade e uma relação mais profunda é a América. E a NATO serve principalmente como uma forma de manter cooperação entre Europa e a América, que não deixou de ser importante.

Reconheço, e seria estúpido não o fazer, que a NATO é responsável por muitas mortes de civis. Mas fará sentido pedir que não haja mortos civis nas guerras? Essas mortes trágicas acontecem sempre, mas não há “guerra civilizada”. Ela há que ser evitada a todo o custo, e tudo aponta para um mundo progressivamente com menos guerras. Mas é impossível evitar mortes nas guerras, mas irresponsável desprezá-las como “danos colaterais”. Mas eu peço às pessoas que reclamam dos mortos civis na NATO para pensarem: em caso de guerra, como fariam países como a China, o Irão, a Coreia do Norte ou até mesmo a Rússia ou organizações terroristas, ou países africanos e latinoamericanos o seu tratamento de civis? Claramente que não morreria nenhum e seriam todos muito bem tratados, claro. Mas, a história mostra a realidade: a Al-Qaeda quando ataca, mata quase só civis; a China mata os seus próprios civis de uma forma assustadora, por isso será de esperar que tratem pior os civis estrangeiros; o Irão possivelmente executaria sunitas, curdos, e hipotéticos prisioneiros de guerra; a Coreia do Norte nem se fala; as guerras em África falam por si, bem como a história bélica latinoamericana.

Por isso reflictam se, no meio disto tudo, nem será a NATO que procura ter mais preocupação com os civis? Na chamada “guerra contra o terrorismo”, quem matará mais civis? A NATO ou os talibans/Al-Qaeda? Em outras hipotéticas guerras, quem mataria mais civis? Quem cagaria para todas as regras de bom tratamento de prisioneiros? Não seria a NATO o caso mais gritante.
Eu espero sinceramente que se reúnam rapidamente condições no Afeganistão para que o governo tenha condições para, sozinho, combater os talibans. E que a NATO continue como mecanismo para assegurar um Ocidente mais seguro, como têm feito até agora. Agora, depois do acordo com a Rússia, haverá um sistema anti-míssil, com a colaboração dos antigos inimigos da NATO. São divergências históricas postas para trás. Esperemos que o clima de cooperação entre a NATO e a Rússia continue, para segurança da Europa e do Mundo.

Paz sim, mas estupidez não. A esquerda adopta um discurso muito nacionalista nestas ocasiões – são contra tudo o que limite a soberania do Estado, num mundo onde a soberania é uma noção do passado. A paz na Europa será garantida pela continuação da existência da NATO, e a paz no Mundo também, com a nova face cooperativa e dialogante da Aliança Atlântica. O mundo moderno não é dos Estados soberanos e isolados, não é o mundo da autarcia nem do self-relience dos Estados – porque as ameaças não são isoladas – são globais: o terrorismo, as crises económicas, as alterações ambientais, pirataria, entre outros, não podem ser resolvidos por Estados soberanos com egos gigantes, mas sim por organizações em busca de concertação e colaboração, que é o que vai acontecendo com a NATO, que vai preenchendo algumas lacunas deixadas pela ineficácia da ONU em alguns aspectos.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Negro Presente da Faculdade de Direito de Lisboa III: Bem-Vindos à Escuridão!


Die Tür fällt zu, das Licht geht aus
Seid ihr bereit?
Seid ihr soweit?
Willkommen in der Dunkelheit
In der Dunkelheit

Infelizmente vejo-me, mais uma vez, obrigado a escrever um post intitulado – “O Negro Presente da Faculdade de Direito de Lisboa III.
Bem-vindos à escuridão, é o que diz a pequena quadra acima. E de facto, a FDL está cada vez mais mergulhada na escuridão. A Lista R, a semana passada, ganhou, sem margem de dúvidas, a Direcção e a Mesa da AAFDL. A noite eleitoral foi fraquíssima, confesso, com muito pouca afluência, menos caralhadas que o costume, menos divertida, apesar dos esforços da Lista V em contrário. Muitos votos brancos e nulos, pouca afluência às urnas – a Apatia, primeiro sintoma da escuridão. 

Mas não é isso que tem agitado a FDL – as eleições para o pedagógico e para o académico estão na ordem do dia. Mas, ainda mais na ordem do dia que isso, são os blogs anónimos, essa nova epidemia da FDL. Pessoalmente, já conhecia um precedente, nas eleições de Março, o http://asverdadesconvenientes.blogspot.com

Há cerca de duas semanas e pouco, surgiu A Guelra da FDL (está ao teu lado direito se quiseres seguir o link), que era prometedora. Parecia imparcial, pronta a dizer as verdades que precisavam de ser ditas, a desmascarar quem devia ser desmascarado. E durante algum tempo assim o fez. E fez bem. Entretanto apareceram, pelo menos, mais três blogs anónimos – as Verdades Inconvenientes da FDL (nome nada original), a Honoris Causa FDL e, mais recentemente, o Balança em Chamas. 

Agora, A Guelra está a descender para um delírio estranho. A partir do momento em que mais blogs anónimos apareceram, e viu o seu monopólio ameaçado, que tem perdido alguns posts a criticar os seus colegas. Mas mais! A Guelra tem mostrado claramente, entre referências maçónicas, a sua afiliação. Não é que já fosse pouco claro, mas agora, cada vez mais. Põe num pedestal o Coimbra e Edmilson e demoniza completamente a Lista R. Que é alguém afiliado de alguma forma a estes dois ilustres colegas não há quase dúvidas, e é o que se fala. Mas eu não tomarei rumores por verdade. Não há mal algum, todos temos direito a tomar posição, e a Guelra toma partido por um certo grupo. Mas perdeu uma característica que atraía muita gente – a suposta imparcialidade. Os autores que se revelem.  

Depois temos as Verdades Inconvenientes da FDL, que deviam-se chamar “Verdades Inconvenientes da FDL e da JSD” ou “Clube de Aposentados da Lista C”. Mas ao menos tiveram a coragem de mandarem as suas iniciais para o ar. Mas iniciais não bastam. Se querem ser descobertos ponham os vossos nomes.
Depois a Honoris Causa, que posta com pouca regularidade. Confesso que não leio muito. Mas mais uma vez – que se revele.
E a Balança em Chamas – é o delírio de algum membro da Opus Dei de certeza. Esse membro deve estar a tomar ácidos enquanto lê a Bíblia, para depois escrever posts.
O anonimato representa o medo, outro dos sintomas da escuridão na FDL. Ataques pessoais, facadas por texto, jogo político atrás de um ecrã é fácil de fazer. É fácil dizer mal de tudo e todos quando a nossa cara e o nosso nome não estão expostos. Mas é cobardia. Gosto muito de ler esses blogs todos, ora por interesse ora por pura diversão. Mas é tempo de se “fazerem homens” e revelarem-se. Vocês apontam muito bem as razões pela decadência moral na FDL. Mas são vocês próprios sintomáticos desta decadência – se querem criticar de forma às pessoas verem e saberem, façam-no de forma directa e transparente. Para secretismos já nos basta a pseudo-Maçonaria que é a Tertvlia! Sim, com o fim do mistério é o fim do mediatismo. Mas se criticam tanto os lobos sedentos de poder que povoam ou povoaram a FDL, que só querem protagonismo, não sejam iguais. Assinem as críticas.

A Escuridão aproxima-se! A Lista R mina a oposição por meios menos democráticos, um novo bloco de alunos do 2º ano assusta os demais alunos do 2º ano. Em ambos os lados da barricada, revelam-se os interesseiros, os backstabbers, os oportunistas, os ambiciosos. E todos compactuamos – sejamos de que afiliação lística ou não, formos. Com tanto material admira-me que a Tertvlia não tenha publicado um Berro, mas eles agora estão mais mansinhos com a Lista R no poder e com a Guelra a substitui-los em termos de leituras dos alunos. No meio disto tudo, há tantas preocupações, tantas conspirações, tanta merda.

Mas esquecem-se do principal: como se sentirá o aluno médio? Alienado, perdido, confuso, desiludido com isto tudo. Nunca se esqueçam – quem está na AAFDL ou nos órgãos da Faculdade é representante dos alunos, e daí, tem de defender os seus interesses e auscultar as suas preocupações. E ninguém faz isso. Desde a Direcção, à Coimbra & Friends/Lista D, à Guelra, à Tertvlia. Estão todos demasiado preocupados com o poder e com quem fica com o quê, e evitar que o outro vá. Mostra que querem o poder pelo poder. Não pelos alunos. O poder que todos vocês têm, seja efectivo ou mera influência, é para nosso benefício! Mas esquecem-se disso no meio das guerras políticas e dos jogos de bastidores!  O poder ou a prospectiva de o ter cega-vos! Tirem a venda dos olhos e olhem para a realidade. Sei que ainda há pessoas honestas, em ambos os lados da barricada destes jogos, que querem realmente fazer algo por nós. Mas são uma minoria e facilmente esmagadas pelos demais. A Escuridão envolve, mais uma vez, a FDL. 

“A porta fecha-se, a luz apaga-se!
Estão preparados?
Estão prontos?
Bem-vindos à Escuridão!”