quarta-feira, 28 de julho de 2010

Catalunha Goes Down - Parte I

Hoje, o Parlamento da Catalunha proibiu as touradas em toda a Região Autónoma - http://http//www.publico.pt/Mundo/parlamento-da-catalunha-acabou-hoje-com-as-corridas-de-touros_1449092

Poderia parecer mais um avanço na luta que muitos travam pelos direitos dos animais. A partir de 2012, os touros catalães vão ter todos uma vida sossegada... No entanto, esta medida não só é ridícula, visto que proíbe a tourada - e já explico porquê - e está carregada de uma ameaça insidiosa e sombria que vai aparecendo na Catalunha.

O debate entre pró e anti-taurinos trava-se bastante em Espanha, devido à forte implantação dessa tradição no país vizinho. Devido a uma implantação mais forte em Espanha do que em Portugal, por exemplo, o debate é muito mais intenso e violento lá do que cá. Mas já todos conhecemos os argumentos: os pró-taurinos falam da tradição e defendem o desporto que eles amam, e os anti-taurinos falam do sofrimento dos animais. Não há mal nenhum em haver essa discussão, também há quem goste de futebol e quem não goste. No entanto, esta questão mete os touros - os grupos de defesa dos direitos dos animais falam do sofrimento dos bichos durante a tourada e do sadismo do espéctaculo.

Eu pessoalmente nunca me senti atraído pela tauromaquia, é um desporto que não gosto. No entanto, é ridículo proibir-se algo de que se não se gosta, e muitos grupos anti-taurinos, com uma agenda de esquerda e de engenharia social por trás, ambicionam mesmo abolir a tourada. Escusado será dizer que os animais são coisas - e, não fiquem chocados - é verdade. O mundo divide-se entre pessoas e coisas, e os animais são coisas que merecem especial respeito e consideração. É por isso que é ridículo o termo 'direitos dos animais' - eu pessoalmente, acho-o ofensivo, porque um direito é algo inerente e indisponível a uma pessoa, contraposto por deveres. Ora os animais nunca terão a inteligência para compreender esses conceitos abstractos, pelo que "direitos" só as pessoas têm. E, se virmos bem, os animais têm todos uma utilidade, tal como as coisas, para as pessoas. As vacas e os porcos servem para nossa alimentação, e os touros, servem para, a tourada, uma expressão cultural perfeitamente legítima, visto que não os põe em risco de extinção. Se me falam de sofrimento, então estão a esquecer-se dos campos de concentração de galinhas, e das experiências em ratos de laboratório. Além disso, a tourada é uma expressão de uma tradição milenar, de pôr o homem contra a natureza - e se nos refugiarmos numa barricada racionalista e rejeitarmos essa natureza instintiva e quase 'animal' do homem, estamos a ser irracionais. O desafio à natureza e às suas forças é algo feito desde o início dos tempos e está enraizada na nossa cultura e mente, e é minimamente pretensioso querer-se sobrepor a isso através da desculpa da racionalidade.

A minha atitude em relação às touradas reflecte o meu pensamento liberal - para um conservador, elas devem manter-se porque são uma tradição e parte do património cultural; para um socialista, a sociedade tem de progredir e abolir essas tradições irracionais. Eu, abstraindo-me do facto de pessoalmente gostar ou não, prefiro sempre a situação em que nada se faz, deixando a sociedade avançar para onde quiser. Com o tempo, talvez as forças espontâneas da sociedade farão decair as touradas a um ponto que não se tornem viáveis - mas não cabe ao Estado impulsionar essa mudança através de proibições autoritárias. Eu posso não gostar, mas não imponho a minha visão - e aí é que reside uma mentalidade virada para uma sociedade livre e para a liberdade.

Mas por detrás desta decisão encontra-se uma realidade insidiosa e perigosa na Catalunha. Como sabemos, Espanha não é uma Nação, e dentro dela tem várias nacionalidades - Castelhanos, Catalães, Bascos, Galegos, etc. Desde o fim da ditadura franquista que os catalães têm feito inúmeras conquistas no que toca à sua autonomia e à afirmação da sua nação e da sua língua. Mas começa-se a ir longe de mais. Tudo começou com a obrigatoriedade de tudo na Catalunha ter de estar em catalão (juntamente com outras línguas), mas sempre em catalão. Excluiu-se o ensino em castelhano no ensino público, sem se dar a oportunidade de escolha - ter tudo, menos o castelhano, em catalão, é obrigatório. E recentemente, o Partido Socialista espanhol, ao precisar dos catalães nacionalistas-esquerdistas da Esquerda Republicana, tem cedido às suas exigências altamente perigosas e autoritárias, começando uma purga na Catalunha de tudo o que fosse Espanhol. A tourada, não estando muito fortemente implantada na Catalunha, foi agora afastada, porque é demasiado espanhola - não por razões de direitos dos animais.

Escusado será dizer que há uma grande preocupação na Catalunha - é que 60% da população considera-se "espanhola" e fala castelhano como língua materna. No telejornal da RTP, hoje à noite, um catalão "hispano-hablante" queixava-se que a Catalunha está sob controlo de uma elite intelectual e de uma minoria profundamente anti-espanhola, minoria essa que quer homogeneizar a Catalunha, que sempre se pôde orgulhar de ser a zona mais cosmopolita de Espanha, à força. A proibição das touradas foi apenas um primeiro passo.

O crescimento do nacionalismo exacerbado na Catalunha abre um caminho de conflito e de tensão - acompanharei com atenção a evolução do novo nacionalismo catalão, do anti-espanholismo e da vindicta catalã contra o passado repressivo - o facto de os catalães terem sido oprimidos durante séculos não lhes dá o direito de oprimir os outros.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Início

Este é o meu blog. Exactamente. Mas para vocês, leitores que verão os meus desabafos de toda a espécie através da luz irritante de um ecrã de computador, é preciso uma pequena introdução sobre o autor.

O meu nome é António Rolo, sou de Lisboa e sou estudante de Direito, passando agora para o 2º ano. O meu blog destina-se a temas muito variados, mas todos com o seu quê de esotéricos: política, música, filmes, livros, filosofia, religião, história, futebol, pop culture, entre outros. Por isso não esperem muita consistência no estilo, pois pode-me apetecer escrever um texto longo e indignado acerca de dado assunto, falar de uma música, livro ou filme, simplesmente por aqui uma letra de uma música, o que me der na gana. Passarei a apresentar-me melhor.

Politicamente apresento uma posição um pouco invulgar em Portugal. Primeiro que tudo, considero-me um democrata e acredito profundamente no actual modelo de democracia representativa que temos no mundo Ocidental, e acredito na dignidade da pessoa humana como valor supremo dessa democracia, dignidade essa que implica uma esfera ampla de liberdade – como ausência de coacção, não possibilidade de acção – e, por isso, outro princípio base da democracia terá que ser, naturalmente, a limitação do poder do Estado. A partir daí moldo todo o meu pensamento político:

- Economicamente acredito no livre mercado como melhor maneira de atingir o desenvolvimento económico (livre mercado com alguma regulamentação, não sou adepto do laissez-faire), e qualquer desvio desta óptica tende para um aumento excessivo dos poderes do Estado, que para mim põe em causa a própria liberdade individual. Impostos baixos e serviços sociais eficazes, mas que sirvam apenas para providenciar igualdade de oportunidades e para combater a pobreza extrema e a fome – todas as pretensões de igualdade social acima disto não me dizem nada.

- Em assuntos ditos “morais”, repudio profundamente a noção de crime sem vítima, i.e., para mim, a interrupção voluntária da gravidez, o casamento e a adopção homossexual, as drogas leves e até a prostituição, são aceitáveis, o que não significa que eu as aceite. Salvo a primeira situação, que é muito discutível, não vejo mal nenhum nas situações que se seguem serem consagradas/deslegalizadas na lei. O Estado deve ausentar-se de intervir em assuntos morais que não se apliquem directamente a relações intersubjectivas.

- O que me leva para um repúdio ao que muitos admiradores chamam ao “Estado Forte”, muitos deles da esquerda, mas muitos conservadores também. O século XXI apresenta graves perigos à democracia, sendo um deles o aumento dos poderes do Estado – tanto na economia como noutras áreas – em prol de uma exigência de “segurança”. Há que não esquecer as palavras de Jefferson: “Aqueles que trocariam a sua liberdade pela segurança, nunca terão nem mercerão nenhuma delas.” O regulamento excessivo na economia e novas técnicas de combate ao crime podem muito bem levar a uma sociedade quase Orwelliana.

- Por fim, sou Republicano. Não sou um republicano apaixonado, como muitos por aí, mas sim um republicano pragmático, i.e., para ser coerente com a minha crença na democracia, não posso admitir que o Chefe de Estado o seja por ter nascido em determinada família. O Chefe de Estado precisa de legitimidade democrática, pelo que não acho graça à moda monárquica.

Religosamente sou agnóstico, tendo sido criado católico e já tendo sido ateu. Felizmente cheguei a uma certa maturidade espiritual, e o assunto da existência de Deus não me incomoda muito. Contudo sou cauteloso no que toca à influência que a religião organizada ainda tem neste mundo, tendo consciência da sua capacidade manipuladora.

Em termos Musicais gosto geralmente de Rock, mas há que aprofundar mais. Devido ao meu gosto adolescente de Punk Rock, cedo descobri a magia do Heavy Metal e do Rock Clássico. Hoje, oiço principalmente Rock Clássico - Led Zeppelin, Black Sabbath, Blue Cheer, Hendrix, Deep Purple - Hard Rock mais recente - Soundgarden, Rage, Audioslave, Guns n’ Roses, Alice in Chains - Punk Rock - Sex Pistols, NOFX, Tara Perdida, The Clash, Bad Religion - Heavy Metal - Metallica, Judas Priest, Megadeth, Iron Maiden - Ska . principalmente, mas não só, Sublime - bem como aprecio muito Blues, electrificado ou acústico, Funk e o bom velho Frank Sinatra.

Porquê Pão e Circo? Ora, é uma temática presente ao longo de toda a História, e não custa nada relembrar todos os dias o seu perigo, que está bem latente em todas as sociedades.

Deixo o mais importante para o fim – sou Benfiquista, com orgulho.

O resto, têm de ir descobrindo à medida que vou escrevendo o blog!